A história se passa nos Estados Unidos, no verão de 1947. Stingo, um sulista recentemente graduado, é demitido de seu emprego e muda-se para uma pensão no Brooklyn, onde pretende passar alguns meses dedicando-se à Literatura e à composição de seu primeiro livro. Nessa pensão ele conhece Natan, um biólogo judeu, e Sofia, uma Polonesa sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz, para quem a razão de ser encontra-se no amor de seu companheiro, o biólogo Natan. Embora ambos formem um casal apaixonado, Stingo acaba caindo de amores por Sofia. Ela, no entanto, nutre apenas uma grande amizade pelo rapaz, pois encontra-se envolvida demais na relação com Natan, a qual é extremamente conturbada, devido à personalidade bipolar do jovem judeu.
A história é, basicamente, narrada em primeira pessoa por Stingo. Algumas vezes Sofia assume a narrativa, ao rememorar seu passado. Não quero entrar em detalhes quanto a esse aspecto, pois eu poderia, sem querer, causar um spoiler, visto que a vida da moça é cheia de mentiras e mistérios. Mas que fique ao menos registrado o quão interessante é ver o autor reproduzir o sotaque e os erros de linguagem da estrangeira.
Além de ser uma leitura prazerosa, vemos que Styron traz a discussão de temas relevantes: ele trata da questão do racismo, por exemplo. Várias vezes o autor coloca o personagem Stingo se confrontando com situações em que o racismo sulista o incomoda. O preconceito também é abordado através de Sofia e Natan, mas de outra maneira: enquanto Natan é judeu e não sofreu com o nazismo, Sofia, uma Polonesa católica, amargou horrores nas mãos dos alemães. Vemos, assim, uma sugestão de que o sofrimento causado durante o terceiro Reich foi universal e não somente direcionado aos judeus.
O romance é em parte autobiográfico, ao narrar o envolvimento de Stingo com a bela Sofia, assombrada pela terrível escolha que precisou fazer um dia e que não somente definiu o resto da sua vida, como também se tornou uma expressão idiomática: fazer uma “escolha de Sofia” significa ver-se forçado a optar entre duas alternativas igualmente insuportáveis. Em sua patética grandeza, "A escolha de Sofia" nos mostra uma mulher entregue a uma relação alucinante e destrutiva, impermeável a qualquer felicidade capaz de desviá-la do puro e simples aniquilamento. Para além das cercas eletrificadas e das câmaras de gás, Auschwitz continuava
a fazer vítimas.
a fazer vítimas.
Três milhões de exemplares vendidos nos Estados Unidos. Quarenta e Sete semanas nas listas de Beste-Sellers do The New York Times e vencedor do National Book Awards de 1980.
Vale muito a pena!!!
Autor: Willian Styron
Editora: Geração Editorial
Páginas: 632
Categoria: Literatura Estrangeira / Romance
Cenas do Filme: A Escolha de Sofia
Se o filme é bom, imagine o Livro!
ResponderExcluirValeu pela dica.
É bom sim, porém o livro tem muito mais detalhes o que causa muito mais emoção para uma história que por si só já é muito triste.
ExcluirOi, Analy. Parabéns pelo blog.
ResponderExcluirApenas vi o filme. Além de gostar muito, fiquei estarrecido com uma crítica, na qual o autor não entendia, digamos, a "segunda escolha" da pobre personagem central.
A tua frase final foi perfeita.
Quem sabe no futuro, um post para as piores e/ou melhores adaptações literárias do cinema.
Quando li As Relações Perigosas, de Laclos, achei impossível uma transposição para a linguagem cinematográfica. O livro acabou rendendo o ótimo filme de Stephen Frears, "Ligações Perigosas" e o bom "Valmont", de Milos Forman. Existem outras, mas não conheço. Enfim, apenas uma ideia.
Claro, a ênfase do blog é o livro, mas o diálogo com o cinema também pode ser uma porta para a literatura, não é?
Em relação a Escolha de Sofia, conseguiste, fiquei curioso na leitura da obra de Styron.
Um abraço.
Bom dia Ivan. Gostei da dica, e quem sabe desenvolvo essa idéia! Assisti neste fim de semana um filme de Stephen King - "O Nevoeiro", você já deve ter assistido, é uma adaptação também de um livro dele, embora não tenha lido o livro, o que na verdade eu prefiro antes de ver o filme, já dá pra imaginar como ele abordou a história e a mensagem que passou. Adoro King e a maneira como ele literalmente viaja em seus suspenses. O Iluminado é um excelente exemplo! Outra narrativa que eu estou gostando muito é de A Espera de um Milagre, também de King, embora seja um livro já "antigo", ainda não havia lido e me lembro vagamente do filme, mas o impressionante neste livro é a forma como King vai e volta no enrredo sem nos deixar perdidos e como o personagem Paul narra a história tão descontraidamente. Estou acabando o livro e logo vou postar aqui, pretendo também ver o filme, e quem sabe começar por aí um debate entre cinema e leitura!
ExcluirAbraço e obrigada pelo post.
Analy, além do ótimo O Iluminado, lembro de Stephen King relacionado com Carrie, A Estranha, A Hora da Zona Morta, filme com orçamento menor, mas bem feito, o sensível Conta Comigo e até um roteiro de um episódio para a série Arquivo X, em 1998.
ResponderExcluirAinda não vi O Nevoeiro. Não gosto muito do diretor. Embora Um Sonho de Liberdade seja bom, acho que inspirado num conto de King, o considerei um pouco arrastado, e esta característica piorou na adaptação da obra que estas lendo, À Espera de Um Milagre. Claro, é só a minha opinião e o filme foi muito bem recebido por vários críticos e com quatro indicações ao Oscar! No meu caso, foi um milagre esperar seu final... O escritor não responde por isso e teus primeiros comentários sobre o livro já o provam.
Aproveito e te peço uma informação, que pode ficar para o futuro post. Quando um escritor é descoberto em Hollywood, livros mais antigos deste autor acabam gerando novos filmes, ou seja, a cronologia dos filmes nem sempre corresponde à ordem cronológica dos romances ou contos. Seria possível listar, das obras de King citadas por mim, ou apenas das lidas por ti, o ano de seu lançamento?
Um abraço.